Sites voltaram? O que a busca por IA mudou para negócios locais

09/02/2026


Você já ouviu que "site morreu", que "hoje é só Instagram e WhatsApp", que "Google My Business resolve tudo". E por um tempo, parecia mesmo que o site tinha virado peça de museu — aquele negócio que a gente tem porque "é sério", mas que ninguém visita.

Só que algo mudou. E mudou rápido.

Desde que o Google lançou os AI Overviews (aquelas respostas geradas por IA que aparecem antes dos resultados tradicionais) e o AI Mode (a busca "IA-first" que está sendo testada), o jogo virou de novo. A IA do Google não só responde — ela cita fontes. E essas fontes são sites. Sites reais, indexados, que ela considera úteis e confiáveis.

Se a sua empresa não tem site, ou tem um site velho/incompleto/mal otimizado, você ficou de fora dessa rodada. E o pior: seus concorrentes podem estar entrando.

Neste artigo, você vai entender por que sites voltaram a importar (e nunca deixaram de importar, na verdade), o que mudou com a busca por IA, e — mais importante — o que fazer no seu site para ele virar fonte confiável e ser recomendado pela IA do Google.

Por que as pessoas disseram que "site não importa mais"

Vamos ser justos: essa frase não saiu do nada.

Nos últimos anos, você viu negócios explodindo no Instagram, vendendo só pelo direct. Viu encanador, vidraceiro, eletricista conseguindo cliente direto pelo WhatsApp, sem nunca ter feito um site. Viu gente dominando o Google Maps com um perfil bem montado no Google Business Profile, sem tocar em domínio ou hospedagem.

E funcionou. Funciona até hoje.

Só que isso não significa que o site "morreu". Significa que outras ferramentas aceleraram a aquisição, mas não substituíram a base. Porque:

  • Redes sociais mudam o algoritmo (e você perde alcance)
  • Marketplaces cobram comissão e te transformam em commodity
  • WhatsApp não é indexado pelo Google (ninguém te acha por lá)
  • Google Business Profile é forte, mas limitado — você não controla o conteúdo, não explica serviço, não educa o cliente

O site sempre foi o único ativo digital que você controla 100%. E agora, com a busca movida por IA, ele voltou a ser também o ativo que te coloca na conversa.

O que mudou com AI Overviews e AI Mode

Aqui está a virada de chave.

Antes, o Google mostrava uma lista de links azuis. Você clicava, lia, comparava. O jogo era ranquear bem e torcer pro clique.

Agora, em muitas buscas, o Google responde direto. A IA resume o que encontrou, monta uma resposta completa e, logo abaixo, cita as fontes — com links clicáveis para os sites que ela usou como base.

Segundo a própria documentação do Google, os AI Overviews funcionam assim:

"AI Overviews são apoiados por resultados web de alta qualidade e incluem links para que você explore mais."

E tem mais. A IA usa um mecanismo chamado "query fan-out" — ela dispara várias sub-buscas internas para montar a resposta. Isso significa que ela não olha só os 3 primeiros resultados. Ela varre mais páginas, mais ângulos, mais fontes. E páginas locais, específicas, bem escritas, podem entrar nesse leque.

Traduzindo: você pode aparecer como fonte citada mesmo sem estar em #1. Basta que sua página seja útil, clara, indexada e confiável.

A pegadinha: pode ter menos cliques — então o site precisa converter mais

Aqui vem o contraponto (e é importante você saber disso).

Estudos recentes, como o da Pew Research e análises da Seer Interactive e Ahrefs, mostram que o CTR (taxa de clique) caiu em muitos termos depois que os AI Overviews entraram no ar. Faz sentido: se a IA já respondeu a dúvida, parte das pessoas não clica.

Então qual é a estratégia?

Simples: o objetivo do site mudou. Não é só "atrair visita". É:

  1. Ser citado — porque isso gera credibilidade e exposição de marca
  2. Converter quem clica — porque o volume pode ser menor, mas a intenção é maior

Quando alguém clica no seu site vindo de um AI Overview, essa pessoa já leu um resumo, já viu que você é fonte confiável, e está em busca de ação: ligar, pedir orçamento, agendar, contratar.

Se o seu site não tiver telefone visível, WhatsApp direto, formulário simples, você perde. Se tiver, você ganha mais do que antes — porque o lead já vem pré-qualificado.

Por que sites locais estão aparecendo como fontes na IA

Aqui está a oportunidade real para prestadores de serviço, comércios locais, empresas pequenas.

Sites grandes (portais, agregadores, franquias) continuam aparecendo — mas a IA do Google também prioriza relevância local e especificidade. E você, vidraceiro em Curitiba, tem algo que um portal nacional não tem: conteúdo hiper-específico sobre vidro temperado para box em apartamento de 2 quartos no Batel, com prazo, preço "a partir de" e WhatsApp direto.

A IA valoriza:

  • Conteúdo claro e direto (não textos genéricos de blog)
  • Páginas que respondem perguntas práticas ("quanto custa", "quanto tempo demora", "atende onde")
  • Provas (fotos reais, casos, depoimentos, garantias)
  • Dados estruturados (marcação schema.org que ajuda a IA a entender do que se trata)
  • Coerência com o Google Business Profile (mesmo nome, endereço, telefone, serviços)

E o Google deixa claro: não existe "SEO especial para IA". Os fundamentos continuam valendo. O que mudou é o uso que a IA faz do conteúdo.

Checklist prático: como otimizar o site para ser recomendado pela IA

Agora vamos ao que interessa. O que você precisa fazer no seu site hoje para aumentar as chances de ser citado nos AI Overviews e de converter melhor quando o clique vier.

1. Indexação e base técnica

Parece óbvio, mas muitos sites estão bloqueados, lentos ou quebrados no celular.

  • Confira se o Google consegue indexar suas páginas (use o Google Search Console)
  • Tenha um sitemap XML e envie pro Google
  • Site precisa carregar rápido (especialmente no celular)
  • Certificado SSL ativo (https://)

Se a IA não consegue ler, você não existe.

2. Arquitetura local: página por serviço + cidade/bairro

Não adianta ter uma página só "Serviços" genérica. Crie:

  • Uma página para cada serviço principal ("Instalação de ar-condicionado", "Manutenção de ar-condicionado", "Limpeza de ar-condicionado")
  • Dentro de cada página, mencione claramente onde você atende ("bairros X, Y, Z em [cidade]")
  • Se atender várias cidades, crie páginas específicas ("Ar-condicionado em Curitiba", "Ar-condicionado em São José dos Pinhais")

A IA busca correspondência. Se alguém busca "eletricista em Pinhais", uma página com esse título + conteúdo relevante tem mais chance de ser citada.

3. Conteúdo em formato de resposta

A IA gosta de texto que responde. Então estruture assim:

  • Parágrafos curtos (2-4 linhas)
  • Subtítulos claros (H2, H3) que já são a pergunta ("Quanto custa trocar um vidro de porta?")
  • Listas e passos ("Como funciona a instalação de porta de enrolar: 1. Visita técnica, 2. Medição, 3. Fabricação, 4. Instalação")
  • FAQ ao final da página (perguntas reais que você recebe no WhatsApp)

Quanto mais fácil for para a IA "recortar" um trecho útil da sua página, melhor.

4. Prova e confiança

A IA não cita qualquer um. Ela busca sinais de confiança. Então:

  • Fotos reais dos serviços (não banco de imagens)
  • Casos ou depoimentos (mesmo que simples)
  • Políticas claras (garantia, prazo, formas de pagamento)
  • Sobre nós com foto da equipe, anos de atuação, certificações

Não precisa ser chique. Precisa ser real.

5. Dados estruturados coerentes com o visível

Dados estruturados são códigos invisíveis que "explicam" pro Google o que está na página.

Use marcação schema.org de:

  • LocalBusiness (nome, endereço, telefone, horário)
  • Service (serviços oferecidos)
  • FAQPage (perguntas e respostas)

Importante: os dados estruturados precisam bater com o que está escrito na página. Não invente preço, endereço ou serviço que não esteja visível.

Se você usa WordPress, plugins como Yoast, Rank Math ou Schema Pro ajudam.

6. Integração com Google Business Profile

O Google cruza informações. Se o seu site diz que você atende em Curitiba, mas o GBP diz Pinhais, isso gera dúvida. E dúvida = menos confiança = menos citação.

Garanta que:

  • Nome, endereço e telefone (NAP) sejam idênticos no site e no GBP
  • O link do site esteja no GBP
  • Os serviços listados no GBP sejam os mesmos do site
  • Fotos, posts e avaliações estejam atualizados

O GBP sozinho não basta, mas GBP + site alinhado é poderoso.

7. Autoridade local

A IA também olha sinais de autoridade. Então:

  • Consiga citações locais (diretórios, associações, parceiros)
  • Se possível, tenha uma página forte de "Sobre" contando a história da empresa
  • Publique conteúdo útil (não precisa ser blog gigante — uma página "Dúvidas frequentes sobre ar-condicionado" já ajuda)
  • Peça avaliações no Google (e responda todas)

Quanto mais a IA encontrar seu nome em contextos confiáveis, mais ela te recomenda.

O que medir (sem depender só de tráfego)

Se o CTR caiu, não faz sentido ficar só olhando "quantas visitas vieram do Google". O jogo mudou. Então meça:

  • Leads por canal: quantos orçamentos vieram por telefone, WhatsApp, formulário?
  • Consultas de marca: quantas pessoas buscaram o nome da sua empresa (sinal de que foram citadas/recomendadas)?
  • Cliques em botões: WhatsApp, telefone, "solicitar orçamento" (use eventos no GA4)
  • Páginas que convertem: no Google Analytics ou Search Console, veja quais páginas geram ação (não só visita)

O objetivo não é ter 10 mil visitas. É ter 50 visitas que viram 10 orçamentos.

Conclusão: sites não "voltaram" — o Google voltou a precisar deles

A verdade é que sites nunca saíram. O que aconteceu foi que, por um tempo, dava pra crescer sem site — com Instagram, GBP, WhatsApp.

Mas agora, com a busca movida por IA, o Google voltou a precisar de sites como fonte. E quem tiver site local, bem feito, claro, confiável, entra no jogo das recomendações.

Não é sobre ter site "porque é profissional". É sobre ter site porque a IA do Google está montando respostas — e ela precisa citar alguém. Pode ser você. Ou pode ser seu concorrente.

A escolha é sua.

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